quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Receitas de Amor na Biblioteca Escolar

No âmbito da disciplina de Português, e do programa dinamizado para assinalar o Mês do Amor – Dia de S. Valentim, as turmas do 6.º ano estão a participar numa atividade tão doce quanto criativa: a criação de uma “Receita de Amor”.

A proposta parte de um trabalho prévio de pesquisa e exploração de léxico, recorrendo a revistas e livros de culinária disponíveis na biblioteca escolar. Os alunos são desafiados a identificar e a selecionar verbos, utensílios, recipientes e quantificadores, enriquecendo, assim, o seu vocabulário. Este momento permite, simultaneamente, a revisão e consolidação do modo Imperativo, já lecionado nas aulas de Português, aplicando-o de forma prática e contextualizada.

A inspiração surge de um tradicional malmequer que está a ser “desfolhado” à boa maneira antiga:
“Bem me quer, mal me quer, muito, pouco ou nada…”
Nas pétalas ainda por preencher, os alunos são convidados a registar os diversos “ingredientes” que consideram essenciais para o amor — respeito, amizade, partilha, confiança, carinho, entre tantos outros.

 

Após uma breve partilha em grupo-turma, passa-se à fase mais aguardada: a redação da receita. Cada grupo define:

- o título da receita;

- a lista de ingredientes e respetivas quantidades;

- o grau de dificuldade;

- o modo de preparação, redigido com recurso ao modo Imperativo;

e, por fim, uma sugestão de apresentação, culminando com o inevitável desejo de “Bon appétit!”

Mais do que uma simples atividade temática, esta proposta envolve múltiplas competências: leitura, pesquisa, seleção de informação, escrita e organização textual, promovendo, acima de tudo, a criatividade e o trabalho colaborativo.

Na nossa biblioteca, celebramos o amor pelas palavras, pela partilha e pela aprendizagem.
Fiquem atentos — em breve, poderemos partilhar algumas destas deliciosas receitas!















quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

"A Viúva e o Papagaio” na Biblioteca: uma visita muito especial!

 

Todos os anos, a Biblioteca Escolar acolhe as turmas do 5.º ano para uma atividade de motivação à leitura do conto “A Viúva e o Papagaio”, de Virginia Woolf, desenvolvida em estreita parceria com as docentes de Português.

A sessão começa de forma surpreendente: a Biblioteca recebe a visita de Miss Gage, a personagem principal da história, que partilha com os alunos parte da sua aventura, despertando a curiosidade e o interesse pela leitura integral da obra. Sob o olhar atento do papagaio James, os alunos são convidados a entrar no universo do livro e a descobrir mais sobre a sua autora.

Para além da leitura — silenciosa e em voz alta —, a atividade inclui uma pesquisa orientada sobre alguns dados biográficos de Virginia Woolf. Este momento é também uma oportunidade para consolidar aprendizagens relacionadas com o respeito pelos Direitos de Autor, incentivando os alunos a tomar notas e a organizar informação de forma autónoma, evitando práticas como o “copy-paste”.

Dinâmica e participativa, esta atividade promove o gosto pela leitura, desenvolve competências de pesquisa e escrita e reforça a ligação entre a Biblioteca e a sala de aula, proporcionando aos alunos uma experiência literária rica, criativa e significativa.






domingo, 8 de fevereiro de 2026

À descoberta das Cartas de Amor de Fernando Pessoa na Biblioteca

 

Capa da mais recente edição das "Cartas de Amor" e que dá a conhecer toda a correspondência trocada entre o poeta e Ofélia

No âmbito das comemorações do Dia de S. Valentim, a Biblioteca Escolar dinamizou, em parceria com as docentes de Português, várias sessões dirigidas às turmas do 12.º ano, centradas na leitura e exploração das Cartas de Amor de Fernando Pessoa.

Estas sessões, dinamizadas pela professora bibliotecária, Filomena Lima, tiveram como principal objetivo dar a conhecer uma faceta mais íntima e humana do poeta, muitas vezes distante da imagem intelectual e fragmentada associada aos seus heterónimos. Através da leitura de excertos das cartas dirigidas a Ofélia Queiroz, os alunos foram convidados a refletir sobre a expressão dos sentimentos, a linguagem amorosa e o contexto histórico e literário em que estes textos foram escritos.

Edição de 1970 e que pertence ao acervo da biblioteca

A atividade promoveu o diálogo, a interpretação crítica e a aproximação à obra pessoana, mostrando que a literatura clássica pode ser surpreendentemente atual e próxima das vivências dos jovens. A reação dos alunos foi muito positiva, destacando-se o interesse despertado pela dimensão afetiva do autor e pela forma simples, por vezes ingénua, com que o amor é expresso nas cartas.

A Biblioteca agradece a participação de todos e reforça o seu compromisso em promover iniciativas que cruzem literatura, emoções e formação cultural.



Não deixe de ler, pelo menos, estas duas cartas que aqui lhe deixamos:


“23-3-1920

Meu querido Bebezinho:

           Hoje, com a quasi certeza que o Osório não te poderá encontrar, pois, além de ter que esperar aqui pelo Valadas, tem naturalmente que ir levar açúcar a casa do meu primo, quasi que de nada me serve escrever-te. Vão, em todo o caso, estas linhas, para o caso de sempre ser possível fazer-te chegar a carta às mãos.

            Ainda bem que a interrupção de ainda agora foi mesmo no fim da nossa conversa, quando íamos despedir-nos. Era justamente para evitar interrupções dessas que eu escolhi o caminho por onde hoje íamos. Amanhã esperarei à mesma hora, sim, Bebé?

            Não me conformo com a ideia de escrever; queria falar-te, ter-te sempre ao pé de mim, não ser necessário mandar-te cartas. As cartas são sinais de separação - sinais, pelo menos, pela necessidade de as escrevermos, de que estamos afastados.

            Não te admires de certo laconismo nas minhas cartas. As cartas são para as pessoas a quem não interessa mais falar: para essas escrevo de boa vontade. A minha mãe, por exemplo, nunca escrevi de boa vontade, exactamente porque gosto muito dela.

            Quero que notes isto, que saibas que eu sinto e penso assim a este respeito, para não estranhares, para não me achares seco, frio, indiferente. Eu não o sou, meu Bebé-menininho, minha almofadinha cor-de-rosa para pregar beijos (que grande disparate!).

            Mando um meiguinho chinês.[1]

            E adeus até amanhã, meu anjo.

            Um quarteirão de milhares de beijos do teu, sempre teu

              Fernando

 

           O Osório leva o chinês dentro de uma caixa de fósforos.

 

Lx, 23-3-1920 (1h, 20 da noite)

Meu querido amor

Não calculas a minha grande alegria quando vi o Osório e lhe perguntei se tinha alguma coisa para mim e me disse que sim. Gostava muito de receber cartinha tua meu amor, mas confesso que não tinha lá muitas esperanças, (…) mas não, o meu amorzinho é muito bonzinho (às vezes, porque outras é muito mau).

É verdade que foi bom ser já no fim da nossa conversa que houve a interrupção, se não como eu não ficaria desgostosa, mas ao mesmo tempo achei piada. Eu venho escrever-te alguma coisinha porque não posso passar já sem te escrever qualquer coisinha.

Sim meu filhinho amanhã encontrar-nos-emos à nossa hora habitual o que tomara já porque estou bem desejosa de te ver. Já tenho tantas saudades! A gente vê-se tão pouco! Tu querias estar sempre ao pé de mim pois esse era também o meu maior desejo, mas infelizmente não pode ser… por enquanto… lá virá esse tempo, o que tenho esperança não há-de vir muito longe. Depois hás-de sair pouco de casa sim? Hás-de estar muito tempo ao pé da tua mulherzinha pequenina para a indemnizares do tempo que esteve separada do seu Fernandinho querido. Depois naturalmente até te aborreces, ou não? Com que então há quarto para nós em casa de tua mãe? Está bem, então já não falta tudo, cabemos lá não é verdade? Quem me dera!

Sim as cartas são sinais de separação, e justamente por se estar separado é que se deve escrever o que não há forma de se dizer pessoalmente, mas tu escreves tão pouco… Aquela carta que escreveste quando estavas doentinho, essa sim, era grande e muito meiguinha. Sabes que tenho estado hoje muito contente?! Achei-te hoje mais meu amiguinho do que ontem, ou seja porque estivesses mais bem disposto hoje. Não te descuides com o retrato não? Dá-mo o mais depressa possível.

Olha Fernandinho, diz-me, não achas melhor eu qualquer dia dizer a minha irmã que tu já te declaraste? Que vieste ao meu encontro ou que me escreveste? Que achas? Eu acho que é melhor, porque qualquer dia ela vê-me ou vêem-me e vão-lhe dizer e depois é muito pior, far-lhe-ia mil confusões, e mesmo para ela não estar a pensar de ti uma coisa muito diferente.

Amanhã o meu amorzinho fala-me a esse respeito, sim? Achei muitíssima piada ao meiguinho chinês e agradeço-te muito. Como tu descobres estas coisas!

(…) Achei imensa, mas mesmo imensa piada à almofadinha cor-de-rosa para pregar beijos, o que tu não inventas não inventa ninguém. Mas o pior é que a almofadinha agora não tem apanhado alfinetes e já tem saudades. Adeus meu querido «Nininho» (…). Agradeço o teu quarteirão de milhares [de] beijos e envio-te um cento de milhares deles muito, muito doces (ainda mais que os bombons). Já tenho saudades de ir dar um passeio até à «Índia»[2].

Adeus meu filhinho pensa muito muito, muito na tua, muito tua

Ofélia «Pessoa» (quem me dera)”

Silva, M. P. (ed.). (2019). Cartas de Amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. Assírio & Alvim.

 



[1] O «meiguinho chinês» enviado a Ofélia, era um boneco de uma série para colecionar.

[2] Expressão em código amoroso, muitas vezes usada por Ofélia, com evidente conotação erótica, designando provavelmente alguma forma de intimidade.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Para quem quer saber + sobre Anne Frank...


Para aprofundar a história de uma das vozes mais marcantes do século XX, convidamo-lo(a) a explorar o nosso Wakelet dedicado a Anne Frank. Neste espaço digital reunimos conteúdos cuidadosamente selecionados — textos, imagens, vídeos e recursos educativos — que ajudam a compreender melhor a vida, o contexto histórico e a atualidade da mensagem deixada no seu diário. É uma oportunidade para aprender, refletir e sentir, ao seu ritmo, através de diferentes perspetivas. Basta apontar a câmara do seu telemóvel ao código QR que partilhamos e deixar-se conduzir por este percurso de descoberta e memória que continua, hoje, mais relevante do que nunca.


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Uma sessão de leitura que é também uma lição de história e uma mensagem de humanidade...

 


No âmbito da programação da Biblioteca Escolar para assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, realizou-se uma sessão de leitura da obra “Rosa Branca”, de Roberto Innocenti. Através desta história comovente, procurou-se sensibilizar os alunos para os horrores da guerra e, em particular, para a perseguição infligida ao povo judeu e o sofrimento vivido nos campos de concentração. O contraste entre a brutalidade do regime nazi e a inocência, a solidariedade e o espírito de partilha da jovem protagonista é especialmente marcante.






Rosa Branca decide investigar para onde os soldados levam, em camiões, as crianças judias, revelando um gesto de profunda humanidade num contexto de desumanização. A narrativa, enriquecida pelas ilustrações intensamente realistas e de grande qualidade que caracterizam o trabalho de Roberto Innocenti, convida à reflexão, à empatia e à memória, valores essenciais para a formação de leitores conscientes e cidadãos atentos à História.


"Leituras de porta em porta" assinalam o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

 


No âmbito da programação da Biblioteca Escolar para assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado a 27 de janeiro, realizou-se mais uma edição da atividade “Leituras de porta em porta”.

O texto selecionado foi um excerto da obra “Holocausto”, de Irene Flunser Pimentel, que dá a conhecer a forma como Hitler e as SS planearam a política antissemita do regime nazi, bem como as diferentes mutações que a chamada “Solução Final” foi sofrendo ao longo do tempo, sempre orientada para um único e trágico objetivo: o extermínio do povo judeu.

À semelhança de edições anteriores, esta atividade — que prevê a distribuição de uma proposta de leitura junto da comunidade docente, das assistentes administrativas e dos assistentes operacionais — contou com a colaboração empenhada de um grupo de alunos e alunas monitoras da Biblioteca Escolar. Com grande sentido de responsabilidade e dedicação, deram o seu melhor para fazer chegar esta proposta de leitura a toda a comunidade educativa, contribuindo para a preservação da memória e para a reflexão crítica sobre um dos períodos mais sombrios da História.







Aqui fica o excerto do livro "Holocausto" de Irene F. Pimentel que partilhámos com a nossa comunidade escolar:

“Na muito abundante historiografia sobre a Shoá tende-se a considerar que o mecanismo do extermínio dos judeus procedeu por etapas, ou estádios, num processo em espiral de radicalização de violência imparável. Esta interpretação prende-se com vários motivos, entre os quais com o facto de Hitler nunca ter referido diretamente a «Solução Final» e o da existência de tendências rivais e contraditórias relativamente àquela no regime. Parece hoje pacífico concluir que não existiu um programa predeterminado e consistente de genocídio e, mesmo que tenha havido uma espiral de radicalização, a destruição física dos judeus não seria previsível antes de meados de 1941, ao ser preparada a chamada Operação Barbarossa, de invasão da URSS.

            A chamada – pelos nazis - «Solução Final do problema judaico» terá surgido como solução circunstancial em resposta às dificuldades do regime. Pioneiro na interpretação de um processo por etapas que levou à Shoá foi o historiador Paul Hilberg, que enumerou os cinco estádios da política antissemita nazi:

 

1.   Definição dos judeus e a proibição de certas atividades e profissões.

2.    Expropriação.

3.    Concentração e fecho em guetos.

4.    Deportação.

5.    Genocídio.

 

Mais tarde, o historiador Yehuda Bauer também considerou que a política nazi relativamente aos judeus se desenvolveu por estágios, o que não quer dizer que num determinado momento de viragem de um para o outro não tivesse havido a consideração de outras opções, sempre incluídas na ideia de que os judeus não tinham lugar, não só na Alemanha, como na Europa e no mundo. Consoante os períodos, foram escolhidas diferentes formas de política antissemita e a própria expressão «Solução Final» sofreu mutações ganhando ao longo do tempo, entre os nazis, significados diferentes e integrando diversos tipos de «soluções». (…)

Primeira etapa: de 1933 a setembro de 1939

            Em 1933, havia na Alemanha cerca de 525 mil judeus, dos quais perto de 37 mil fugiram logo após a subida ao poder de Adolf Hitler. Apesar das diversas medidas antissemitas introduzidas nos quatro anos seguintes, apenas uma média anual de cerca de 25 mil judeus «emigrou» da Alemanha. Com a chamada «anexação» da Áustria, onde viviam, em 1938, entre 190 mil e 250 mil judeus, o número destes elevou-se a meio milhão em toda a Alemanha, ficando quase idêntico ao dos judeus que viviam neste país em 1933. Em 1939, 250 mil judeus já tinham abandonado o território da Grande Alemanha.

            Nessa primeira fase, tratou-se de tornar insuportável a vida dos judeus na Alemanha, pela via legislativa, jurídica, bem como através de interdições profissionais e da violência física nas ruas. Os nazis começaram por desencadear contra os judeus uma guerra económica, através de campanhas de boicote ao comércio nas suas mãos. O fundamento era o antissemitismo, central na ideologia nazi, segundo o qual o mundo era apresentado como o resultado de uma luta darwiniana inelutável pelo domínio do mundo entre «arianos» - a raça pura – e os judeus, a «raça» de tal forma «Impura» que eram percecionados como não humanos, embora poderosos e, por isso, os mais perigosos. A geografia foi fundamental, pois era objetivo dos nacional-socialistas a reconstituição daquilo a que chamavam «grande Alemanha», não se tratando apenas de extinguir o império colonial, mas criar um Lebensraum a leste, que incluía a Ucrânia, a Polónia, os países bálticos e a Rússia.

            Após o incêndio do Reichstag em fevereiro de 1933, a partir do qual foram neutralizados os principais adversários políticos, sobretudo de esquerda, a começar pelos comunistas e social-democratas, o outro principal alvo dos nazis foi a população judaica. O regime hitleriano procedeu ao boicote do comércio judeu, em 1 de abril de 1933, ao qual se seguiu a exclusão dos judeus das profissões liberais e da função pública. O objetivo nazi relativamente aos judeus era então isolá-los e fazer com que «emigrassem», vindo a principal impulsão antissemita para os eliminar do espaço público dos ativistas de base do NSDAP, da SA e, depois, do complexo Gestapo-SS-SD. (…)

A «Noite de Cristal»

Já no seio do regime nazi, os principais dirigentes dividiam-se entre uma política violenta relativamente aos judeus e o receio da má-vontade internacional. Entre os primeiros, contava-se o ministro dos Negócios Estrangeiros Joachim von Ribbentrop, mas este perderia então alguma influência junto de Hitler, face ao chefe do Plano de Quatro Anos, Göring, e ao presidente do Reichsbank Halmar Schacht, que defendiam um abrandamento da política antissemita. Em agosto de 1938, além de os seus passaportes passarem a incluir o J, os judeus foram obrigados a acrescentar na sua documentação oficial e nos passaportes os nomes de Israel e Sara, respetivamente para os homens e as mulheres.

            Mas, ao contrário do desejo de Hitler de se ver «livre dos judeus» nos territórios alemães, com a incorporação de cerca de 190 mil a 250 mil judeus da Áustria e da Checoslováquia, o Grande Reich tinha de novo uma população judaica de cerca de meio milhão de pessoas. Entretanto, em 29 de setembro de 1938, a Alemanha e a Itália assinaram com a França e a Grã-Bretanha o Acordo dos Appeasers de Munique que forçava a Checoslováquia a ceder à Alemanha a região montanhosa dos Sudetas, na Checoslováquia. Na sua vontade de expulsar os judeus da Grande Alemanha, Hitler não teve de atuar diretamente para acelerar a «arianização» da sua propriedade, empreendida por Göring desde 1937, nem para orientar a violência na Áustria, onde os militantes do Partido Nazi e os membros da SA introduziram o terror.

            Para que a emigração se transformasse em expulsão dos judeus, foi desencadeada a chamada «Noite de Cristal» (9-10 de novembro de 1938), nova etapa de violência antissemita instigada por Goebbels, que queria recuperar os favores de Hitler. De novo, este continuou a permanecer na sombra dos bastidores, sem dar abertamente luz verde ao seu ministro de Propaganda, nem se responsabilizar pela violência dos pogroms, que se revelaram claramente impopulares e foram até recebidos com hostilidade por outros membros do regime nazi.

            Com o pretexto do assassínio de um Secretário da Embaixada da Alemanha em Paris, às mãos do judeu polaco Hershel Grynzpan, foi desencadeada uma onda de violência antissemita por toda a Alemanha e pela Áustria, às mãos da SS e da SA, por vezes com a passividade cúmplice de muitos alemães. Nessa designada «Noite de Cristal», expressão eufemística dos nazis que remeteu para o vidro das lojas, casas e templos de culto judaico partidas e para os incêndios que perduraram três dias, cem judeus foram assassinados durante eventos e as crianças judias foram expulsas de orfanatos.

            Trinta mil judeus foram presos e enviados para campos de concentração, 11 mil dos quais para Dachau e cerca de 10 mil para Buchenwald. Centenas morreriam em cativeiro, antes que os sobreviventes fossem libertados, após assegurarem que partiriam da Alemanha, deixando os seus bens. Terão sido destruídas, segundo números oficiais, 267 sinagogas, incendiados e esvaziados 7500 armazéns comerciais, vivendas comunitárias judaicas e casas privadas de judeus. Na Áustria, a brutalidade ainda foi proporcionalmente maior, pois o pogrom resultou na destruição de 42 sinagogas, na morte de 27 judeus e no ferimento com gravidade de centenas deles, bem como 6500 presos e enviados para Dachau.(…)

            Entretanto, no início de dezembro de 1938, os proprietários judeus foram forçados a vender os bens que lhes restavam. No último dia do ano, as empresas e os trabalhadores independentes judeus foram obrigados a cessar as suas atividades. No discurso proferido no Reichstag, em 30 de janeiro de 1939, por ocasião da comemoração da sua chegada ao poder, Hitler «profetizou» que a Europa não encontraria a paz até que a questão judaica fosse resolvida. Avisou que, se conseguisse lançar a Europa numa nova guerra, a «raça judaica da Europa» seria aniquilada. Em abril de 1939, os inquilinos judeus em território alemão ficaram despojados de todos os direitos face ao proprietário do imóvel que habitavam e, em dezembro, foi-lhes retirada a carta de condução.

            Entretanto, em 14 e 15 de março de 1939, sob pressão alemã, os eslovacos declararam a independência relativamente à antiga Checoslováquia e as tropas alemãs ocuparam este país, em violação dos acordos de Munique, vindo a criar o protetorado da Boémia e Morávia. No dia 31 de março, a França e a Grã-Bretanha, que nada haviam feito relativamente à agressão da Checoslováquia, garantiram a integridade das fronteiras do Estado polaco. Entre 7 e 15 de abril, a Itália fascista invadiu e anexou a Albânia, mas teve de se confrontar com uma grande resistência, que levaria mais tarde a Alemanha a ajudar esse país do Eixo, mandando tropas para os Balcãs. Em 22 de maio, a Itália e a Alemanha concluíram o Pacto de Aço e, em 23 de agosto, o último país assinou com a URSS um pacto de não agressão e um acordo secreto de divisão da Europa de Leste em esferas de influência.”

 Pimentel, I. F. (2020). Holocausto. Temas e Debates. 




Mensagem de António Guterres no Dia Internacional em Memória da Vítimas do Holocausto

António Guterres, Secretário Geral da ONU, lembra as vítimas do Holocausto e sublinha o crescente antissemitismo na atualidade bem como a proliferação  dos discursos de ódio e de intolerância a que devemos estar atentos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Para conheceres o Museu Aristides de Sousa Mendes

 E a propósito das sessões de leitura do livro "A inspiradora História de Aristides", não percas a seguinte visita à Casa do Passal...

Há Leituras na Biblioteca: “A inspiradora História de Aristides”

No âmbito da programação destinada a assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que se assinala a 27 de janeiro, a Biblioteca Escolar promoveu mais uma sessão da atividade “Há Leituras na Biblioteca”, desta vez dedicada ao livro “A inspiradora História de Aristides – Um herói do mundo inteiro”.

A atividade, dinamizada para as turmas do 6.º ano, está a decorrer no âmbito da disciplina de Português e é orientada pela professora bibliotecária, Filomena Lima, que deu a conhecer aos alunos a vida e a ação de um dos maiores heróis portugueses do século XX: Aristides de Sousa Mendes.




Durante a leitura e exploração da obra, os alunos ficaram a conhecer a coragem e o sentido humanista deste diplomata português que, durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto cônsul de Portugal em Bordéus, decidiu desrespeitar as ordens do regime de Salazar e passar milhares de vistos a todos os que o procuraram. Com este gesto, Aristides salvou milhares de vidas, sobretudo de judeus que tentavam fugir à perseguição nazi.

A sessão permite, ainda, refletir sobre as consequências desta decisão. Apesar de mais tarde ter sido reconhecido internacionalmente como “Justo entre as Nações”, Aristides de Sousa Mendes foi severamente punido pelo regime, perdendo todos os seus bens, incluindo a sua casa, e acabando por morrer na miséria.

Os alunos ficam, também, a saber que, atualmente, a sua casa, em Cabanas de Viriato, é um museu aberto ao público, o que lhes permite ter uma noção mais concreta da dimensão e do impacto da obra de Aristides durante a Segunda Guerra Mundial.

Conhecido em todo o mundo como o homem que terá salvo um dos maiores números de judeus durante o Holocausto, o feito de Aristides de Sousa Mendes continua a ser um exemplo maior de coragem, solidariedade e defesa dos direitos humanos — valores que importa preservar e dar a conhecer às novas gerações.