sexta-feira, 13 de março de 2026

Literacia da Informação: aprender a pesquisar e a respeitar os Direitos de Autor

 

No âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, estão a ser dinamizadas sessões de literacia da informação dirigidas às turmas do 5.º ano. Estas sessões têm como principal objetivo sensibilizar os alunos para a importância de um uso responsável e ético da informação, promovendo o respeito pelos Direitos de Autor desde cedo.

Através da visualização de pequenos vídeos, e até da leitura de uma tira de banda desenhada, os alunos são convidados a refletir sobre a forma como utilizam a informação que encontram em diferentes fontes -  Internet, livros ou outros recursos. Assim, compreendem por que razão não devem apresentar como sua a informação produzida por outras pessoas e percebem a importância de identificar os autores das ideias e conteúdos utilizados.

Durante as sessões, os alunos aprendem também como fazer citações e referências bibliográficas, adquirindo ferramentas essenciais para a realização de trabalhos escolares de forma correta e responsável. São ainda apresentados exemplos práticos das diferentes etapas do processo de pesquisa da informação, bem como estratégias para registar as fontes consultadas ao longo da investigação.

Com estas atividades pretende-se desenvolver, desde cedo, competências fundamentais para a aprendizagem e para a formação de cidadãos críticos, conscientes e respeitadores do trabalho intelectual dos outros.












quinta-feira, 12 de março de 2026

Ainda a propósito das atividades sobre o aparelho cardiovascular - "Virtual Heart" - na Biblioteca...

 Podes aprender mais sobre o coração se vires este vídeo...

“Virtual Heart” na Biblioteca Escolar

 

No âmbito da articulação entre a Biblioteca Escolar e os docentes de Ciências Naturais do 6.º ano, realizou-se a atividade “Virtual Heart”, dinamizada no espaço da biblioteca e, em simultâneo do Exploratório.

Desenvolvida em regime de turnos e em trabalho de grupo, esta atividade permite aos alunos explorar o coração “por dentro”, recorrendo à App “Virtual Heart”, que apresenta um modelo tridimensional altamente realista deste órgão. Através desta ferramenta digital, os alunos consolidam, de forma interativa, os conhecimentos adquiridos nas aulas sobre o aparelho cardiovascular.

Esta parceria pedagógica possibilita a realização de atividades de caráter mais experimental e prático, promovendo uma aprendizagem ativa e significativa. Durante a sessão, os alunos têm ainda a oportunidade de se familiarizar com a App “GoodReader”, uma aplicação particularmente útil para a leitura e exploração de documentos em formato PDF.

O realismo impressionante da aplicação e a integração de ferramentas digitais tornam esta atividade especialmente motivadora, estimulando a curiosidade científica e o envolvimento dos alunos no processo de aprendizagem.






terça-feira, 10 de março de 2026

 

No âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, que se assinalou no dia 8 de março, realizou-se no Agrupamento de Escolas D. Maria II a atividade “Leituras de porta em porta”, uma iniciativa de sensibilização que procurou promover a reflexão sobre a igualdade entre mulheres e homens.

Durante a atividade foram distribuídos dois textos a todos os docentes, assistentes administrativos e assistentes operacionais do agrupamento. O primeiro, “Trabalhos invisíveis”, do livro O Futuro Recordado, de Irene Vallejo, aborda a persistente invisibilidade do trabalho doméstico realizado pelas mulheres desde a Antiguidade Clássica. O segundo texto, publicado no “Observador”, e intitulado “Faltam cinco gerações para os homens portugueses partilharem tarefas domésticas”, destaca as desigualdades que ainda persistem na sociedade atual, não só na partilha das tarefas domésticas, mas também ao nível salarial e das oportunidades de progressão profissional.

Para além da partilha destes textos, foi oferecido, simbolicamente, a todas as mulheres que trabalham no agrupamento um chocolate “Merci”, como forma de reconhecimento e agradecimento pela dedicação, empenho e contributo diário que dão à vida das escolas do Agrupamento de Escolas D. Maria II.

 





Trabalhos invisíveis 

“As tarefas domésticas repetem-se todos os dias. Sem cessar, o pó cobre as coisas com o seu manto cinzento. É preciso pensar na comida e prepará-la, cortar os bocados, fritar e vigiar, envolver. Acompanhar os idosos, cuidar das crianças. E, quando está tudo terminado, os rastos apagados, o lava-louças brilhante como um espelho, temos de voltar a começar. Os especialistas dizem que juntaríamos milhões de euros ao PIB se contabilizássemos o trabalho doméstico não remunerado. Essas horas ignoradas, esse tempo que não é ouro. Como estamos a distribuir os esforços não remunerados?

A primeira obra literária ocidental é um hino à guerra, e quase não retrata as tarefas dos homens na vida diária. Numa dessas raras ocasiões, Homero conta que o troiano Heitor, ao voltar do combate, sentava o seu pequeno filho ao colo para lhe dar de comer. No outro bando, o velho Fénix explica que criou o menino Aquiles há vinte anos, limpando-o, cortando a comida em pedacinhos para ele: «Quantas vezes sujaste a minha túnica ao vomitar! As crianças dão mesmo trabalho!» Na Ilíada, os heróis são recordados pelas suas batalhas, e o esforço repetido das tarefas do lar fica fora de cena, nas mãos de mulheres cujas proezas domésticas pareciam desprovidas de qualquer épica. Hoje a façanha quotidiana de cuidarmos uns dos outros precisa de homens capazes de assumirem metade do que é invisível.”

Vallejo, I. (2024). O Futuro Recordado. Bertrand Editora.

 

Uma ótima sugestão de leitura, sobretudo para os alunos do Ensino Secundário

“Faltam cinco gerações para os homens portugueses partilharem tarefas domésticas

Estudo "As mulheres em Portugal, hoje" conclui que entre homens e mulheres existe ainda um desequilíbrio expressivo de rendimentos e que as mulheres estão sempre ou quase sempre cansadas. Porquê?

Portugal precisa de, pelo menos, cinco gerações para os homens partilharem as tarefas domésticas em igualdade com as mulheres, que, na maioria, assumem, num estudo revelado esta terça-feira, estar sempre ou quase sempre “cansadas”.

“O trabalho não pago feito em casa continua a ser um assunto de mulheres” e “dificilmente essa realidade se alterará num futuro próximo, a menos que sejam tomadas medidas drásticas”, reflete o estudo “As mulheres em Portugal, hoje”, coordenado por Laura Sagnier e Alex Morell, e com uma amostra de 2.428 mulheres com idades entre os 18 e os 64 anos e residentes em Portugal, entrevistadas em maio de 2018, através da internet.

“Se as contribuições dos homens em relação à execução das tarefas domésticas continuarem a evoluir ao ritmo da última geração, serão necessárias entre cinco a seis gerações para que se alcance uma distribuição paritária das tarefas domésticas entre mulheres e homens, nos casais em que ambos têm trabalho pago”, determina o estudo, encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos à consultora PRM, que esta terça-feira será apresentado publicamente, em Lisboa.

O grupo de mulheres para quem a conciliação entre vida pessoal, familiar e profissional é mais difícil é o das que têm filhos menores e pessoas parceiras — para estas, o tempo despendido em trabalho não pago (6h12 em tarefas domésticas e filhos/as) é quase tanto como em trabalho pago (7h18, em média).

Na verdade, para as mulheres que têm trabalho pago e filhos/as, tanto faz viverem em casal ou sozinhas, dado que gastam as mesmas horas com tarefas domésticas. Mais de metade do tempo que passam acordadas em casa é gasto a cuidar do lar e da família.

Apesar de os homens partilharem mais as tarefas relacionadas com os/as filhos/as do que as domésticas, essa função continua a recair sobretudo sobre as mulheres: as mães têm o triplo do trabalho com os filhos. O contributo do pai para cuidar e educar os/as filhos/as não sofreu “nenhuma evolução em relação à geração anterior”, destacam os autores do estudo.

Este cenário de desequilíbrio choca com a constatação, no estudo, de que as mulheres contribuem em igualdade de circunstâncias para as despesas familiares. “Enquanto a maioria dos homens continua a ter um papel muito passivo em relação às tarefas não pagas, respeitantes ao cuidado da casa e dos/as filhos/as, muitas mulheres assumiram um papel mais ativo na contribuição para as despesas familiares”, lê-se.

Mais ainda quando, na maioria dos casais, há um “desequilíbrio expressivo de rendimentos”: em 46% dos casais mulher-homem, ela tem menos rendimento.

Face a esta situação, não é de estranhar que a maioria das mulheres reconheça estar sempre ou quase sempre “cansada”, para o que contribui a “situação de desequilíbrio permanente e sustentado” que “enfrentam diariamente”.

Dez por cento das mulheres declaram mesmo estar “esgotadas” — estas têm uma média de idades de 57 anos, metade tem trabalho pago e mais de um terço são funcionárias públicas; 47% assumem que não trabalhariam se não precisassem do dinheiro e 40% pararam de estudar quando concluíram o ensino básico.

O estudo divide as mulheres em vários tipos, de acordo com as atitudes perante a vida, sendo que as mais prevalecentes têm “tudo sob controlo” (18%). Se juntarmos às mulheres “esgotadas” as “resignadas” (11%) e as “em luta” (13%), juntas representam um terço.

Ainda assim, 47% das mulheres portugueses dizem sentir-se felizes ou muito felizes com a sua vida, sendo que as razões de maior felicidade são: filhos/as; netos/as; amigas/os.

A pessoa parceira é, porém, o fator que maior influência tem na felicidade ou infelicidade das mulheres — entre as inquiridas, 73% têm uma pessoa parceira e 57% vivem com ela; 71% têm um parceiro homem. “É possível afirmar que esta investigação confirma o ditado popular ‘mais vale só do que mal acompanhada'”, dizem os autores.

Do outro lado, há 33% que assumem ser infelizes, sendo que os motivos de maior infelicidade são: descendentes de anteriores relações das pessoas parceiras; aspeto físico; trabalho pago.

“Não se pode dizer que as mulheres se sintam particularmente realizadas com o trabalho pago, em Portugal”, observam os autores do estudo. Entre as inquiridas, 51% estão infelizes com o trabalho que têm e para 44% o trabalho está abaixo ou muito abaixo das expectativas. Dois terços auferem menos de 900 euros líquidos por mês, um terço não tem vínculo contratual estável e 26% trabalham mais de 40 horas.

As mulheres com mais escolaridade — considerada determinante na atitude perante a vida — têm salários mais altos (84% das filhas têm um nível de escolaridade superior ao das mães).

O estudo revela que “a maternidade não é garantia de felicidade para as mulheres”, embora 82% das mães se sintam realizadas com os seus descendentes. Das inquiridas 53% têm filhos/as (destes, 52% têm mais do que um/a) e 27% têm intenção de ter, mas 9% nunca quiseram tal opção.

Os autores do estudo assumem que pretendem influenciar as políticas públicas, mas sobretudo fornecer as mulheres mais jovens com dados sobre as “implicações” que o trabalho pago, as pessoas parceiras e os/as filhos/as terão nas suas vidas.

“A situação vivida por muitas mulheres atualmente é insustentável, a vários níveis”, podendo ter “um impacto significativo na natalidade, no absentismo laboral, nos sistemas de proteção social, na educação das crianças e jovens e nos índices de divórcio”, concluem os autores.

 Cotrim, A. Lusa. (2019, fevereiro 12). Faltam cinco gerações para os homens portugueses partilharem tarefas domésticas.https://observador.pt/2019/02/12/faltam-cinco-geracoes-para-os-homens-portugueses-partilharem-tarefas-domesticas/

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Receitas de Amor na Biblioteca Escolar

No âmbito da disciplina de Português, e do programa dinamizado para assinalar o Mês do Amor – Dia de S. Valentim, as turmas do 6.º ano estão a participar numa atividade tão doce quanto criativa: a criação de uma “Receita de Amor”.

A proposta parte de um trabalho prévio de pesquisa e exploração de léxico, recorrendo a revistas e livros de culinária disponíveis na biblioteca escolar. Os alunos são desafiados a identificar e a selecionar verbos, utensílios, recipientes e quantificadores, enriquecendo, assim, o seu vocabulário. Este momento permite, simultaneamente, a revisão e consolidação do modo Imperativo, já lecionado nas aulas de Português, aplicando-o de forma prática e contextualizada.

A inspiração surge de um tradicional malmequer que está a ser “desfolhado” à boa maneira antiga:
“Bem me quer, mal me quer, muito, pouco ou nada…”
Nas pétalas ainda por preencher, os alunos são convidados a registar os diversos “ingredientes” que consideram essenciais para o amor — respeito, amizade, partilha, confiança, carinho, entre tantos outros.

 

Após uma breve partilha em grupo-turma, passa-se à fase mais aguardada: a redação da receita. Cada grupo define:

- o título da receita;

- a lista de ingredientes e respetivas quantidades;

- o grau de dificuldade;

- o modo de preparação, redigido com recurso ao modo Imperativo;

e, por fim, uma sugestão de apresentação, culminando com o inevitável desejo de “Bon appétit!”

Mais do que uma simples atividade temática, esta proposta envolve múltiplas competências: leitura, pesquisa, seleção de informação, escrita e organização textual, promovendo, acima de tudo, a criatividade e o trabalho colaborativo.

Na nossa biblioteca, celebramos o amor pelas palavras, pela partilha e pela aprendizagem.
Fiquem atentos — em breve, poderemos partilhar algumas destas deliciosas receitas!















quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

"A Viúva e o Papagaio” na Biblioteca: uma visita muito especial!

 

Todos os anos, a Biblioteca Escolar acolhe as turmas do 5.º ano para uma atividade de motivação à leitura do conto “A Viúva e o Papagaio”, de Virginia Woolf, desenvolvida em estreita parceria com as docentes de Português.

A sessão começa de forma surpreendente: a Biblioteca recebe a visita de Miss Gage, a personagem principal da história, que partilha com os alunos parte da sua aventura, despertando a curiosidade e o interesse pela leitura integral da obra. Sob o olhar atento do papagaio James, os alunos são convidados a entrar no universo do livro e a descobrir mais sobre a sua autora.

Para além da leitura — silenciosa e em voz alta —, a atividade inclui uma pesquisa orientada sobre alguns dados biográficos de Virginia Woolf. Este momento é também uma oportunidade para consolidar aprendizagens relacionadas com o respeito pelos Direitos de Autor, incentivando os alunos a tomar notas e a organizar informação de forma autónoma, evitando práticas como o “copy-paste”.

Dinâmica e participativa, esta atividade promove o gosto pela leitura, desenvolve competências de pesquisa e escrita e reforça a ligação entre a Biblioteca e a sala de aula, proporcionando aos alunos uma experiência literária rica, criativa e significativa.






domingo, 8 de fevereiro de 2026

À descoberta das Cartas de Amor de Fernando Pessoa na Biblioteca

 

Capa da mais recente edição das "Cartas de Amor" e que dá a conhecer toda a correspondência trocada entre o poeta e Ofélia

No âmbito das comemorações do Dia de S. Valentim, a Biblioteca Escolar dinamizou, em parceria com as docentes de Português, várias sessões dirigidas às turmas do 12.º ano, centradas na leitura e exploração das Cartas de Amor de Fernando Pessoa.

Estas sessões, dinamizadas pela professora bibliotecária, Filomena Lima, tiveram como principal objetivo dar a conhecer uma faceta mais íntima e humana do poeta, muitas vezes distante da imagem intelectual e fragmentada associada aos seus heterónimos. Através da leitura de excertos das cartas dirigidas a Ofélia Queiroz, os alunos foram convidados a refletir sobre a expressão dos sentimentos, a linguagem amorosa e o contexto histórico e literário em que estes textos foram escritos.

Edição de 1970 e que pertence ao acervo da biblioteca

A atividade promoveu o diálogo, a interpretação crítica e a aproximação à obra pessoana, mostrando que a literatura clássica pode ser surpreendentemente atual e próxima das vivências dos jovens. A reação dos alunos foi muito positiva, destacando-se o interesse despertado pela dimensão afetiva do autor e pela forma simples, por vezes ingénua, com que o amor é expresso nas cartas.

A Biblioteca agradece a participação de todos e reforça o seu compromisso em promover iniciativas que cruzem literatura, emoções e formação cultural.



Não deixe de ler, pelo menos, estas duas cartas que aqui lhe deixamos:


“23-3-1920

Meu querido Bebezinho:

           Hoje, com a quasi certeza que o Osório não te poderá encontrar, pois, além de ter que esperar aqui pelo Valadas, tem naturalmente que ir levar açúcar a casa do meu primo, quasi que de nada me serve escrever-te. Vão, em todo o caso, estas linhas, para o caso de sempre ser possível fazer-te chegar a carta às mãos.

            Ainda bem que a interrupção de ainda agora foi mesmo no fim da nossa conversa, quando íamos despedir-nos. Era justamente para evitar interrupções dessas que eu escolhi o caminho por onde hoje íamos. Amanhã esperarei à mesma hora, sim, Bebé?

            Não me conformo com a ideia de escrever; queria falar-te, ter-te sempre ao pé de mim, não ser necessário mandar-te cartas. As cartas são sinais de separação - sinais, pelo menos, pela necessidade de as escrevermos, de que estamos afastados.

            Não te admires de certo laconismo nas minhas cartas. As cartas são para as pessoas a quem não interessa mais falar: para essas escrevo de boa vontade. A minha mãe, por exemplo, nunca escrevi de boa vontade, exactamente porque gosto muito dela.

            Quero que notes isto, que saibas que eu sinto e penso assim a este respeito, para não estranhares, para não me achares seco, frio, indiferente. Eu não o sou, meu Bebé-menininho, minha almofadinha cor-de-rosa para pregar beijos (que grande disparate!).

            Mando um meiguinho chinês.[1]

            E adeus até amanhã, meu anjo.

            Um quarteirão de milhares de beijos do teu, sempre teu

              Fernando

 

           O Osório leva o chinês dentro de uma caixa de fósforos.

 

Lx, 23-3-1920 (1h, 20 da noite)

Meu querido amor

Não calculas a minha grande alegria quando vi o Osório e lhe perguntei se tinha alguma coisa para mim e me disse que sim. Gostava muito de receber cartinha tua meu amor, mas confesso que não tinha lá muitas esperanças, (…) mas não, o meu amorzinho é muito bonzinho (às vezes, porque outras é muito mau).

É verdade que foi bom ser já no fim da nossa conversa que houve a interrupção, se não como eu não ficaria desgostosa, mas ao mesmo tempo achei piada. Eu venho escrever-te alguma coisinha porque não posso passar já sem te escrever qualquer coisinha.

Sim meu filhinho amanhã encontrar-nos-emos à nossa hora habitual o que tomara já porque estou bem desejosa de te ver. Já tenho tantas saudades! A gente vê-se tão pouco! Tu querias estar sempre ao pé de mim pois esse era também o meu maior desejo, mas infelizmente não pode ser… por enquanto… lá virá esse tempo, o que tenho esperança não há-de vir muito longe. Depois hás-de sair pouco de casa sim? Hás-de estar muito tempo ao pé da tua mulherzinha pequenina para a indemnizares do tempo que esteve separada do seu Fernandinho querido. Depois naturalmente até te aborreces, ou não? Com que então há quarto para nós em casa de tua mãe? Está bem, então já não falta tudo, cabemos lá não é verdade? Quem me dera!

Sim as cartas são sinais de separação, e justamente por se estar separado é que se deve escrever o que não há forma de se dizer pessoalmente, mas tu escreves tão pouco… Aquela carta que escreveste quando estavas doentinho, essa sim, era grande e muito meiguinha. Sabes que tenho estado hoje muito contente?! Achei-te hoje mais meu amiguinho do que ontem, ou seja porque estivesses mais bem disposto hoje. Não te descuides com o retrato não? Dá-mo o mais depressa possível.

Olha Fernandinho, diz-me, não achas melhor eu qualquer dia dizer a minha irmã que tu já te declaraste? Que vieste ao meu encontro ou que me escreveste? Que achas? Eu acho que é melhor, porque qualquer dia ela vê-me ou vêem-me e vão-lhe dizer e depois é muito pior, far-lhe-ia mil confusões, e mesmo para ela não estar a pensar de ti uma coisa muito diferente.

Amanhã o meu amorzinho fala-me a esse respeito, sim? Achei muitíssima piada ao meiguinho chinês e agradeço-te muito. Como tu descobres estas coisas!

(…) Achei imensa, mas mesmo imensa piada à almofadinha cor-de-rosa para pregar beijos, o que tu não inventas não inventa ninguém. Mas o pior é que a almofadinha agora não tem apanhado alfinetes e já tem saudades. Adeus meu querido «Nininho» (…). Agradeço o teu quarteirão de milhares [de] beijos e envio-te um cento de milhares deles muito, muito doces (ainda mais que os bombons). Já tenho saudades de ir dar um passeio até à «Índia»[2].

Adeus meu filhinho pensa muito muito, muito na tua, muito tua

Ofélia «Pessoa» (quem me dera)”

Silva, M. P. (ed.). (2019). Cartas de Amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. Assírio & Alvim.

 



[1] O «meiguinho chinês» enviado a Ofélia, era um boneco de uma série para colecionar.

[2] Expressão em código amoroso, muitas vezes usada por Ofélia, com evidente conotação erótica, designando provavelmente alguma forma de intimidade.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Para quem quer saber + sobre Anne Frank...


Para aprofundar a história de uma das vozes mais marcantes do século XX, convidamo-lo(a) a explorar o nosso Wakelet dedicado a Anne Frank. Neste espaço digital reunimos conteúdos cuidadosamente selecionados — textos, imagens, vídeos e recursos educativos — que ajudam a compreender melhor a vida, o contexto histórico e a atualidade da mensagem deixada no seu diário. É uma oportunidade para aprender, refletir e sentir, ao seu ritmo, através de diferentes perspetivas. Basta apontar a câmara do seu telemóvel ao código QR que partilhamos e deixar-se conduzir por este percurso de descoberta e memória que continua, hoje, mais relevante do que nunca.


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Uma sessão de leitura que é também uma lição de história e uma mensagem de humanidade...

 


No âmbito da programação da Biblioteca Escolar para assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, realizou-se uma sessão de leitura da obra “Rosa Branca”, de Roberto Innocenti. Através desta história comovente, procurou-se sensibilizar os alunos para os horrores da guerra e, em particular, para a perseguição infligida ao povo judeu e o sofrimento vivido nos campos de concentração. O contraste entre a brutalidade do regime nazi e a inocência, a solidariedade e o espírito de partilha da jovem protagonista é especialmente marcante.






Rosa Branca decide investigar para onde os soldados levam, em camiões, as crianças judias, revelando um gesto de profunda humanidade num contexto de desumanização. A narrativa, enriquecida pelas ilustrações intensamente realistas e de grande qualidade que caracterizam o trabalho de Roberto Innocenti, convida à reflexão, à empatia e à memória, valores essenciais para a formação de leitores conscientes e cidadãos atentos à História.