domingo, 13 de março de 2022

Semana da Leitura começa com "A Menina com os Olhos Ocupados" no Jardim das Leituras

 

No âmbito da Semana da Leitura, a professora bibliotecária dinamizou, mais uma vez, a atividade “Há Leituras no Jardim”. Desta vez o livro escolhido foi “A Menina com os Olhos Ocupados”, da autoria de André Carrilho.  

A sessão de leitura em voz alta, partilhada entre a professora bibliotecária e os alunos participantes, pretendeu, não só promover hábitos de leitura e o gosto pelo livro, mas também suscitar a reflexão e o debate sobre o uso excessivo dos ecrãs, em particular do telemóvel.

A verdade é que esta menina, sem nome, pois pode ser uma qualquer menina (ou menino) dos nossos tempos, não vê absolutamente nada do mundo à sua volta – não vê os animais com que se cruza, não vê os locais por onde passa, não vê os amigos à sua volta, não se alimenta devidamente, e não descansa os seus olhos, nem mesmo quando está na cama doente, pois está sempre com os seus olhos ocupados com o telemóvel.

A leitura foi animada e o debate muito participado mas, infelizmente, apercebemo-nos de que muitas das nossas crianças fazem um uso abusivo do telemóvel, e de outros ecrãs, não só no que diz respeito ao número de horas, mas também no que diz respeito aos momentos do dia (ou da noite) em que os utilizam, momentos que deviam ser de descanso ou de convívio com os respetivos familiares.

A sessão terminou com o visionamento de um vídeo que ilustra uma situação de uso obsessivo do telemóvel mas, neste caso, vivida por um jovem casal.

No final, todos os alunos levaram para casa um texto da autoria de Daniel Sampaio, para oferecerem aos pais. Pretende-se, com este texto, sensibilizá-los para este uso indevido da tecnologia e apontar algumas sugestões com vista a um uso mais regrado e saudável dos ecrãs.

Aqui ficam algumas fotos desta atividade.






sexta-feira, 11 de março de 2022

Pontapé de saída para o Projeto “O Museu Aqui e Agora e o Futuro Que Lá Mora” na Biblioteca Escolar

 

Foi em plena Semana da Leitura que demos início ao Projeto que preconiza o envolvimento da Biblioteca Escolar em atividades que permitem um contacto e uma participação dos alunos com o património cultural da comunidade – Sintra – em particular com alguns dos Museus desta bela vila Património Mundial da Humanidade.

Este projeto prevê o trabalho articulado com seis Museus de Sintra, a saber: Museu de História Natural, Museu Anjos Teixeira, Museu Ferreira de Castro, Museu de Artes de Sintra, Casa-Museu Leal da Câmara e Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas. Este último é o Museu com quem a nossa escola vai trabalhar sendo que a turma escolhida foi a turma 2.ª do 5.º ano.

O trabalho de articulação com o Museu “Adotado” iniciou-se ontem, dia 10 de março, com a leitura do livro sobre esse Museu - “Duas Irmãs em Odrinhas”. O livro é da autoria de Gilda Nunes Barata, e foi ilustrado por Danuta Wojciechovska.

Foi com muito entusiasmo e com muita atenção que os alunos do 5.º 2.ª leram esta história que também pretende funcionar como uma espécie de cartão de visita para o Museu de S. Miguel de Odrinhas que os alunos terão hipótese de visitar.

A sessão começou com a descrição, e posterior interpretação, de uma réplica de um mosaico da “villa” romana que integra o núcleo museológico de Odrinhas. Foi muito interessante ver como alguns alunos conseguiram antever uma das mensagens da história e interpretaram a imagem do mosaico como um símbolo de amor infinito.

A leitura do livro foi acompanhada de uma apresentação feita pelas professoras bibliotecárias, Filomena Lima e Gracinda Silva, com recurso à ferramenta “Genially”, e que pretendia reforçar a ligação do livro com os diferentes espaços do Museu de Odrinhas.

A próxima atividade a dinamizar no âmbito deste projeto será a realização de uma Exposição constituída por seis Totens alusivos a cada um dos Museus envolvidos.






domingo, 30 de janeiro de 2022

Sessões de motivação a “O Diário de Anne Frank” na BE/CRE

 


À semelhança de anos letivos anteriores, está a ser dinamizada pela professora bibliotecária, Filomena Lima, na biblioteca escolar, para todas as turmas de 8.º ano, a sessão de motivação a “O Diário de Anne Frank”. Pretende-se, com esta sessão, sensibilizar os alunos para a importância deste diário, não apenas como um registo de acontecimentos pessoais de uma jovem adolescente, mas, particularmente, enquanto um documento histórico de muito interesse, na medida em que, muitos factos da 2.ª Guerra Mundial nos são dados a conhecer através do olhar atento de Anne. Na realidade, o “Diário de Anne Frank” integra a “Memória do Mundo”, uma lista de documentos e arquivos de grande valor histórico que, segundo a UNESCO, devem ser preservados e amplamente disseminados.

A sessão está organizada de modo a acompanhar os factos mais importantes da vida de Anne Frank (desde o seu nascimento até à entrada para o Anexo Secreto) e, simultaneamente, os acontecimentos históricos que vão influenciando a sua vida e a da sua família, sobretudo por serem judeus.

Os alunos são chamados a participar nesta sessão, nomeadamente para descreverem e comentarem capas de algumas edições do Diário, fotografias da época, mas, também, para lerem excertos do Diário na versão adaptada a Banda Desenhada.



Excertos de "O Diário de Anne Frank" em versão BD


No final, os alunos são conduzidos numa visita virtual ao Anexo Secreto através da hiperligação ao Museu Anne Frank, em Amesterdão.

Poderá fazê-lo, também, através da seguinte hiperligação:

https://www.annefrank.org/en/anne-frank/secret-annex/landing/

Importa aqui sublinhar que, mais do que dar a conhecer a história de Anne Frank e o que a levou a si, e à sua família, a esconderem-se durante dois anos no Anexo Secreto, esta sessão pretende levar os alunos a questionarem-se sobre diversas questões relacionadas com os Direitos Humanos e com a tolerância étnica e religiosa… para que não haja mais Anne Franks no mundo…

Poderá ver alguns vídeos sobre a vida de Anne Frank através do site oficial do Museu ou no Youtube. Aqui disponibilizamos um desses episódios.

Pontapé de saída na BE/CRE para o projeto “Ler e escrever mais com a biblioteca”

As Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas D. Maria II foram, mais uma vez, selecionadas para atribuição de apoio financeiro, desta vez com o projeto a que demos o título de “Artistas da Palavra”. A nossa candidatura foi selecionada de entre 155 projetos apresentados a esta iniciativa que visa a recuperação de aprendizagens no âmbito do Plano 21/23: Escola +. Pretende-se que a biblioteca “em articulação com os docentes e mobilizando os recursos disponibilizados nesta iniciativa, assuma um papel ativo no desenvolvimento de competências de leitura e de escrita que contribuam para mitigar os efeitos negativos que, a nível funcional e formativo, um domínio inconsistente destas áreas provoca na aprendizagem dos jovens”.

O projeto envolve, no 1.º ciclo, os alunos do 4.º ano e, no 2.º ciclo, os alunos do 6.º ano.


A primeira atividade dinamizada na nossa biblioteca denomina-se “O Dicionário do Menino Andersen”.

Trata-se de uma atividade que pretende, tal como todas as restantes atividades a desenvolver no âmbito deste projeto, promover a leitura e a escrita, neste caso concreto através da definição das próprias palavras. O trabalho visa o aprofundamento do estudo de “Textos diversos”, nomeadamente a entrada do dicionário. A atividade passa, primeiro, pela consulta do significado de diversas palavras, quer em dicionários em suporte de papel, quer em dicionários em suporte digital, depois, pela leitura e comentário de excertos do livro “O Dicionário do Menino Andersen”, de Gonçalo M. Tavares, e culmina com uma atividade de escrita criativa na qual cada grupo de alunos define o significado de algumas palavras, mas à luz das definições criadas pelo Menino Andersen.

Esta atividade desenvolve-se, também, no âmbito da Flexibilidade Curricular uma vez que todas as palavras “pesquisadas” e “definidas” pertencem ao campo semântico da água.

Acresce referir que, para além da articulação curricular com a disciplina de Português, este projeto vai, também, envolver a disciplina de Educação Visual uma vez que se pretende que cada aluno ilustre uma das palavras definidas para, numa fase posterior, se criar um dicionário, em suporte de papel, ou em suporte digital, para cada uma das turmas envolvidas neste projeto.

Aqui ficam algumas fotos destas sessões realizadas com as turmas de 6.º ano.  











sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

BE/CRE assinala, uma vez mais, o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto”

 

Fez ontem, dia 27 de janeiro, 77 anos que as tropas soviéticas chegaram ao Campo de Concentração de Auschwitz. Depararam-se com um cenário Dantesco – centenas de cadáveres espalhados pelo Campo, um odor nauseabundo e centenas de seres humanos, ainda vivos, num estado de estado de debilidade física indescritível.

Algumas semanas antes, os Comandantes, deste e de outros Campos de Concentração, tinham recebido ordens para partir com a esmagadora maioria dos prisioneiros, não sem antes destruir algumas das infraestruturas e alguns documentos mais comprometedores. O avanço dos Aliados e das tropas Russas em territórios ocupados e na própria Alemanha motivaram esta transferência de prisioneiros para locais na Alemanha ou outros com maior resistência nazi. Os prisioneiros foram obrigados a deslocarem-se, ao longo de centenas de quilómetros, a pé, sem comida, sob o frio intenso do inverno, e sob ameaça permanente de serem mortos caso caíssem, por já nem sequer aguentarem o peso dos seus próprios corpos. Esta caminhada ficou conhecida como A Marcha da Morte.

Em janeiro de 1945, os judeus foram evacuados de Auschwitz para mais próximo da Alemanha, em abril, foram os judeus de Buchenwald, e ao longo dos últimos meses da guerra, milhões de prisioneiros judeus caminharam para a morte. Quando estes deslocamentos acabaram, mais de 2 milhões de judeus tinham perdido a vida nestas deslocações.

No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a Biblioteca Escolar lembrou este trágico evento em mais uma atividade “Leituras de Porta em Porta” dando a conhecer à comunidade escolar excertos do livro “Se Isto é Uma Mulher”.

Aqui fica o excerto que selecionámos e que foi distribuído a Professores, Alunos, Assistentes Operacionais e Administrativos.

A Marcha da Morte

“Grete Buber-Neumann disse que podia sempre adivinhar-se quais eram as mulheres que chegavam a Ravensbrück de Auschwitz, porque tinham uma dureza especial – em particular as que sobreviveram à marcha da morte de janeiro de 1945. As judias entre as 20 000 mulheres deixadas em Auschwitz no final ainda ali estavam porque tiveram a «sorte» de serem fortes e saudáveis quando chegaram e, por consequência, foram selecionadas para trabalhar. Allegra Benvenisti tinha dezoito anos quando chegou a Auschwitz vinda de Salónica, na Grécia, com os pais, as irmãs, os irmãos e os primos. Na primeira seleção, o oficial da SS apontou-lhe para que se dirigisse para um lado, enquanto quase todos os outros membros da sua família foram para o outro lado, para a câmara de gás.

Como Allegra notou, muitas dessas jovens saudáveis morriam de doenças ao fim de duas ou três semanas. Também ela adoeceu e quase morreu, mas uma enfermeira ucraniana salvou-a tirando-a às escondidas do bloco do hospital antes de um camião levar todas as doentes - «mortas ou vivas». (…)

Ao longo do verão de 1944, Allegra e outras prisioneiras «trabalhadoras» viram Auschwitz atingir o auge do seu poder, com o extermínio de 400 000 húngaros em apenas dois meses. Mas durante o outono o ritmo de comboios que chegavam com vítimas para o extermínio começou a abrandar, com o avanço dos Soviéticos e o campo de concentração a preparar-se para a evacuação. Em outubro, os que ainda estavam vivos em Auschwitz atreviam-se a ter a esperança de sobreviver, especialmente quando, em 2 de novembro, as fornalhas deixaram de deitar fumo. (…)

Perto do final desse ano, os blocos e as ruas de Auschwitz começaram a ficar menos povoados, com os prisioneiros a serem transferidos para campos de concentração na Alemanha. (…)

Em janeiro de 1945, com os Russos a apenas alguns dias de Auschwitz, a SS começou a preparar-se freneticamente para a evacuação. Não tardou a tornar-se claro que quem estivesse apto a caminhar seria forçado a marchar, mas quem estivesse demasiado fraco seria assassinado. Quando se aproximou o momento de partir, os guardas começaram a dizimar os doentes e os moribundos a tiro. Prepararam-se também para fazer ir pelos ares o campo de concentração. Lydia Vago, que tinha adoecido, estava na enfermaria e recordou-se de ouvir uma enfermeira berrar-lhe que saísse imediatamente. Lydia saiu da Revier e quando se afastava viu chegar um camião para levar para serem mortos a tiro os doentes que estivessem demasiado débeis para andarem.

Em 18 de janeiro, o trabalho prosseguia normalmente, incluindo a construção de um novo bloco. Ao cair da noite, chegou o aviso de evacuação. Maria Rundo recordava-se de faltar a luz no hospital onde ela trabalhava e de a seguir as luzes voltarem a acender-se e de um homem da SS ordenar às enfermeiras que recolhessem todas as fichas das pessoas doentes, que levou consigo. Na Lagerstrasse, havia pessoas a berrarem que quem conseguisse andar devia regressar aos seus blocos, porque ia dar-se início à evacuação. Estava a nevar e quando os prisioneiros começaram a correr de volta para os seus blocos os que estavam demasiado doentes para marcharem entraram em pânico. «Não havia dúvida sobre o seu destino, porque a SS não permitira que os doentes fossem libertados», disse Lydia Vago.

Alguns não queriam partir, na esperança de saudarem os seus libertadores soviéticos. Alina Brewda, a médica judia, escondeu-se com os doentes, mas um oficial da SS encontrou-a e enxotou-a. Alguns dirigiram-se para os armazéns de vestuário e pegaram no que podiam para se manterem agasalhados – cobertores, casacos, camisolas. Allegra, a jovem Salónica, estava no turno da noite na fábrica quando se ouviu a chamada. Não teve tempo de comer nem de procurar roupas quentes e foi diretamente para a fila que se formava naquela altura junto aos portões. Lydia Vago teve ainda tempo de entrar na farmácia da pequena Revier da fábrica e de meter aspirinas e gaze no seu pequeno saco feito de tecido de uniforme azul-acinzentado. Ela e a sua irmã Aniko levaram roupas e cobertores extra atados em fardos às costas, com o fio bem agarrado nas mãos.

Ao fim da tarde do dia da evacuação, os selecionados para partirem reuniram-se junto aos portões: homens, mulheres, judeus e não-judeus, Kapos e não-Kapos. Tinham dito às crianças que não poderiam partir, mas algumas vieram. Imediatamente antes de se abrirem os portões, os guardas entregaram a cada prisioneiro um pão e disseram-lhes que formassem uma fila, com as mulheres atrás. (…)

Lydia manteve-se junto de Aniko. Era de importância vital que não se perdessem uma da outra na multidão, que começava agora a pôr-se em marcha. Os guardas berravam: «Alles antreten» - Em fila, alinhem-se. Saiam. Os cães ladravam. Soou um alerta de ataque aéreo e durante uns minutos apagaram-se todas as luzes, mergulhando o campo de concentração na escuridão. As pessoas pensaram esconder-se, mas de que valia, se o campo ia pelos ares? Enquanto os prisioneiros se afastavam, sabiam que o Exército Vermelho estava perto, porque viam as «velas de Estaline» - os mísseis soviéticos Katyusha – a iluminarem o céu.

A fila avançou lentamente pela estrada coberta de neve, com os homens à frente, as mulheres atrás e pessoal armado da SS de todos os lados. A temperatura descia em flecha. Alina Brewda recordava-se de os guardas lhes ordenarem que corressem, aguilhoando os prisioneiros com as suas baionetas. Alguns corriam, mas outros tropeçavam. Pouco depois viram os primeiros homens mortos prostrados na neve, alvejados por terem caído. Não tardaram a ver também mulheres mortas a tiro. Allegra estava sempre a escorregar, porque a neve colava-se nos seus socos de madeira. Quando Alina não conseguia acompanhar o ritmo da marcha, algumas prisioneiras mais fortes seguravam-na por baixo dos braços e levavam-na, de modo que ela «corria» entre elas mal tocando no chão. (…)

Nos primeiros dias, os guardas permitiram-lhes que descansassem algumas vezes e que fizessem as suas necessidades na berma da estrada. Mas receavam adormecer ali acocoradas, e morrerem geladas. Já tinham comido o seu pão e tudo aquilo a que tinham conseguido deitar mão antes de partir do campo de concentração. «Por isso, comemos neve», disse Maria Rundo. (…)

Soavam repetidamente tiros por trás delas, quando a SS executava os que se desgarravam do grupo. Os prisioneiros passavam agora por cima de cadáveres espalhados ao longo da estrada, que eram mortos a tiro quando escorregavam e caíam. Lydia viu um rapaz de olhos azuis aos seus pés e passou por cima dele. Uma jovem e a sua mãe levaram em braços uma irmã mais nova, exausta, até já não terem forças para carregar com ela. «Por isso sacrificámo-la e ela morreu.» Sabiam que os guardas a tinham matado, porque ouviram o tiro segundos depois.

Ao fim de três dias, perderam a conta do tempo. No grupo da fábrica de Lydia e de Aniko, calculava-se que o número de prisioneiras já baixara de 500 para 300. Por vezes, pareciam estar a avançar aos tropeções com milhares de pessoas, outras vezes só com um pequeno grupo, separadas temporariamente da multidão em vagas.(…)

O grupo de Allegra e Berry marchou mais 400 quilómetros para oeste e em seguida para norte, passando por Praga e daí para a Alemanha, onde os ataques eram de grande intensidade. Passaram uma noite num campo de cadáveres de pessoas e de cavalos e no dia seguinte os guardas encurralaram-nas dentro de vagões de um comboio. (…)

Lydia e Aniko iam de pé perto da parte da frente do vagão, onde o guarda da SS estava sentado num banco com o seu pastor-alemão aos pés. O cão levantou-se e Lydia rastejou para debaixo dele e deitou-se para se aquecer. Tinha a certeza de que o guarda mandaria o cão mordê-la ou que dispararia sobre ela. Mas ele só se queixou: «Assim, o meu cão não tem espaço», e disse-lhe que se afastasse. «Viajámos assim durante toda a noite e na tarde seguinte chegámos a Ravensbrück.»

As mulheres de Auschwitz chegaram a Ravensbrück em diferentes grupos ao longo de vários dias, perto do final de janeiro de 1945. Walter Schenk, o chefe do crematório, recordou que havia tantas mortas entre elas que as fornalhas não davam vazão ao número de cadáveres e, por isso, foi também usado o crematório de Fürstenberg para os queimar. Continuavam a chegar mais transportes.

«Mulheres mortas de pé, meio geladas, tombavam dos camiões», disse Lydia sobre as prisioneiras do seu comboio. Havia um número incontável de mortas, levadas diretamente para serem cremadas. Aos portões, os guardas fizeram aquilo que, inicialmente, Lydia e Aniko julgaram ser uma seleção. Em vez disso, «uma mulher pequena e feia à mesa do controlo, com as faces e os lábios pintados de vermelho, limitou-se a mandá-las entrar». Lydia disse: «Tentávamos adivinhar se iriam matar-nos na câmara de gás ou a tiro.» As duas irmãs receavam que a ferida de Aniko estivesse agora tão infetada que a levassem para a matarem. (…)

Lydia e Aniko foram «metidas à pazada» na tenda, onde Lydia tentou proteger a mão infetada de Aniko quando a sopa foi distribuída às vagas de pessoas. Alguém com uma concha deitou sopa para a tigela que Lydia trazia atada à cintura por um fio e as duas jovens partilharam-na. (…)

Ao fim de vários dias, quando Lydia e Aniko já julgavam que tinham sido abandonadas para morrer, foram subitamente chamadas para ser feito o seu registo. (…) Mandaram Lydia pôr-se de pé num aparelho para a medir. «Porque é que subitamente eles tinham curiosidade em saber que altura eu tinha?» A seguir as jovens receberam os seus novos números do campo de concentração num pedaço de tecido branco: 99 626 para Lydia e 99 627 para Aniko."                                                          

 Helm, S. (2015). Se Isto É Uma Mulher – Dentro de Ravensbrück: o campo de concentração de Hitler para mulheres. Lisboa: Editorial Presença.



                      Alguns dos alunos monitores que participaram neste "Leituras de Porta em Porta" 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Alunos da EBS Gama Barros visitam a exposição “100 anos com Saramago”







“100 anos com Saramago” é uma exposição inteiramente concebida pela equipa da Biblioteca Escolar da Escola Básica e Secundária de Gama Barros. Esta exposição pretende levantar um pouco o véu sobre o homem José Saramago e dar a conhecer a dimensão da obra do Prémio Nobel da Literatura.

A Exposição desenvolve-se ao longo de quatro painéis:

- o primeiro, que introduz a exposição, e que contém um desenho a carvão de José Saramago da autoria de três alunos da turma do 12.º ano de Artes, a saber: Filipe Cesário, Maria Carolina Lopes e Nádia Pires.

- o segundo, que apresenta um conjunto de fotografias do autor – algumas delas apresentam, por um lado, uma vertente mais familiar – podemos ver o autor em criança e na companhia de alguns familiares mais próximos – por outro, a vertente pública e literária do autor – deste conjunto constam fotografias de José Saramago na companhia de alguns dos maiores vultos da literatura mundial e uma foto do discurso durante a cerimónia de entrega do Prémio Nobel, por exemplo;

- o terceiro painel reproduz as capas dos livros de algumas das obras de José Saramago, nomeadamente de algumas primeiras edições e de edições traduzidas como, por exemplo, de “O Memorial do Convento”, de “A Viagem do Elefante” e de outras. Dele faz, também, parte um outro desenho a carvão que representa José Saramago da autoria das alunas Francisca Pinto, Joana Fonseca, Maria Teresa David e Sara Ferreira.

- o quarto painel apresenta um conjunto de caricaturas do autor criadas por vários artistas.

A Biblioteca Escolar está a dinamizar visitas orientadas a esta exposição tendo, para isso, criado um conjunto de atividades que conduzem o olhar dos alunos por estes painéis, mas que vai além do que está exposto, na medida em que os alunos são convidados a ver um excerto do documentário “José e Pilar”, a ler um texto crítico sobre a obra “A Viagem do Elefante” e, ainda, a consultar, um guião sobre a vida e a obra do autor tendo que realizar várias tarefas na sequência de cada uma destas atividades.

Estas visitas são, sobretudo, destinadas aos alunos dos 9.º, 10.º e 11.º anos.  











domingo, 5 de dezembro de 2021

“Leituras Centenárias” na Escola Básica e Secundária de Gama Barros

 

A 16 de novembro de 1922 nascia na Azinhaga, no Ribatejo, aquele que viria a ser, até ao momento presente, o único escritor português galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.

99 anos depois, a Fundação José Saramago assinala a data com um conjunto de iniciativas que se vão desenrolar até 16 de novembro de 2022 altura em que, efetivamente, se completam os 100 anos do nascimento deste escritor.

O pontapé de saída para uma vasta programação cultural que vai acontecer durante um ano, aconteceu no dia 16 do passado mês de novembro e realizou-se no âmbito de uma parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura. O desafio lançado às escolas previa a leitura de textos de Saramago na comunidade escolar, em particular do conto “A Maior Flor do Mundo”. Entendemos associar-nos a esse acontecimento mas partindo da leitura de excertos de “As Pequenas Memórias”, obra que está, aliás, a ser lida por um dos Clubes de Leitura da escola – o 12.º LH1.

Assim, Biblioteca Escolar e Professores de Português associaram-se e planearam um grande evento em que se parou para ler na escola. Muitos foram os professores que abriram generosamente as portas das suas aulas para receberem dezenas de alunos do 12.º ano que, nos dias 15 e 16 de novembro, leram em voz alta pequenos textos para os seus colegas de 9.º, 10.º e 11.º anos. Houve, também, alunos do 12.º ano a lerem poemas da autoria de José Saramago para os mais jovens, nomeadamente para algumas turmas do 5.º ano.

Não faltou um apontamento na sala de professores. Três alunas do 12.º LH1 leram o texto de “As Pequenas Memórias” onde Saramago recorda o seu namoro passageiro com uma rapariga de nome Deolinda.  

Para assinalar este dia, a Biblioteca Escolar dinamizou, ainda, um “Leituras de Porta em Porta” que, mais uma vez, contou com a colaboração de alguns alunos monitores.

Aqui ficam algumas fotografias que registaram esses momentos de partilha de leituras em homenagem a José Saramago e o excerto do texto de "As Pequenas Memórias" lido na sala de professores.








“Daquela mesma varanda, tempos mais tarde, namorei uma rapariga de nome Deolinda, mais velha do que eu três ou quatro anos, que morava num prédio de uma rua paralela, a Travessa do Calado, cujas traseiras davam para as da minha casa. Há que esclarecer que namoro, o que então se chamava namoro, dos de requerimento formal e promessas mais ou menos para durar (“A menina quer namorar comigo?”,”Pois sim, se são boas as suas intenções”), nunca o chegou a ser. Olhávamo-nos muito, fazíamos sinais, conversávamos de varanda para varanda por cima dos pátios intermédios e das cordas da roupa, mas nada de mais avançado em matéria de compromissos. Tímido, acanhado, como me estava no carácter, fui algumas vezes a casa dela (vivia, creio recordar, com uns avós), mas ao mesmo tempo, decidido a tudo ou ao que calhasse. Um tudo que daria em nada. Ela era muito bonita, de rostinho redondo, mas, para meu desprazer, tinha os dentes estragados, e, além do mais, deveria pensar que eu era demasiado jovem para empenhar comigo os seus sentimentos. Divertia-se um pouco à falta de pretendente idóneo, mas, ou muito enganado ando desde então, tinha pena de que a diferença de idades se notasse tanto. Em certa altura desisti da empresa. Ela tinha o apelido de Bacalhau, e eu, pelos vistos já sensível aos sons e aos sentidos das palavras, não queria que mulher minha fosse pela vida carregando com o nome de Deolinda Bacalhau Saramago.”

 Saramago, J. (2006). As Pequenas Memórias. Lisboa: Editorial Caminho.